Manuscritos de “Um sopro de vida”

Postado por Bruno Cosentino Vianna Guimarães / 15 de Maio de 2018 / 0 Comentários

Em fevereiro deste ano, a segunda parte dos originais manuscritos de Um sopro de vida foi entregue pelo filho da escritora, Paulo Gurgel Valente, para ser incorporado ao Acervo Clarice Lispector, que, sob a guarda do IMS, continha a primeira parte do romance desde 2004, quando aqui chegou ao lado de outros documentos.

Este é um livro de edição complexa. Em 1977, ano da morte da autora, os escritos, naquele momento esparsos e em folhas avulsas, ainda não tinham sido organizados por Clarice. A publicação póstuma ficou sob a responsabilidade de Olga Borelli, conforme sua nota de abertura à primeira edição, em 1978:

Durante oito anos convivi com Clarice Lispector participando de seu processo de criação. Eu anotava pensamentos, datilografava manuscritos de inspiração de Clarice. Por isso, me foi confiada, por ela e por seu filho Paulo, a ordenação dos manuscritos de Um sopro de vida.

A nota explicativa, contudo, desapareceu das edições mais recentes, deixando aos novos leitores a impressão de que Clarice havia concebido o livro tal qual publicado. A convite do Instituto Moreira Salles, o professor e crítico português Carlos Mendes de Souza — especialista na obra de Clarice e autor de Clarice Lispector: figuras de escrita — veio ao Rio com a incumbência de examinar os manuscritos e cotejá-los com o livro.  Adianta o estudioso que algumas observações já podem ser feitas:

Grande parte desses fragmentos apresenta uma indicação de pertença às falas de Ângela e do Autor, mas deparamos também com alguns fragmentos que reenviam para nomes e falas de personagens não integradas por Olga Borelli no livro. Provavelmente terá sido um projeto abortado da parte de Clarice, pois na obra Um sopro de vida, como a conhecemos, só encontramos as indicações das falas de Ângela e do Autor.  Por outro lado, existem ainda alguns manuscritos com o reenvio explícito a estas personagens e que não foram integrados por Olga Borelli em Um sopro de vida, mas sim no livro Clarice Lispector. Esboço para um possível retrato.

O estudo dos originais de Um sopro de vida, que remontam ao mesmo período de escrita de A hora da estrela (1974 a 1977), também sob a guarda do IMS, segue pelo próximo ano, em Portugal, onde Mendes de Souza é professor na Universidade do Minho.

 

 

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