De novo no The New York Times

18 de julho de 2018 / 0 Comentários

É a segunda vez em menos de três meses que O lustre ganha destaque no jornal The New York Times. Em março, o jornalista Parul Sehgal havia escrito uma elogiosa crítica sobre o segundo romance de Clarice Lispector, o último a ganhar versão para o inglês, com o nome The chandelier. Alguns dias depois, o livro também foi incluído na lista de onze leituras da semana da prestigiada seção Book Review.

Recentemente, a tradução de Benjamin Moser e Magdalena Edwards recebeu mais uma avaliação positiva do jornal americano, desta vez do crítico Martin Riker. Ele começa o texto sublinhando a afinidade da escritora brasileira com a filosofia de Spinoza e a ficção de Katherine Mansfield e relembra o impacto da publicação do primeiro livro de Clarice, Perto do coração selvagem: “um romance diferente de tudo o que a literatura brasileira tinha visto até então”.

O lustre foi publicado pela primeira vez em 1946, pela Agir, depois de a autora receber muitas negativas de editoras maiores. Diferentemente da obra de estreia, quase não foi comentado pela crítica e, ainda hoje, é tido como de difícil leitura. Riker observa, contudo, que essas são características comuns a segundos romances, nos quais os traços mais notáveis do primeiro são reiterados e desenvolvidos: “A escrita é novamente implacável, exultante – o que um personagem posterior de Lispector chamará de ‘êxtase sem culminância’ – mas aqui vem em trechos mais longos e com menos quebras”, diz ele.

Riker destaca a maestria com que Clarice expõe a sufocante sensação de Virginia, a personagem principal, ao se sentir presa dentro de um exaustivo exame de auto-consciência – à semelhança somente de Beckett, no século XX. Segundo o crítico, a escritora põe em xeque o incontornável fracasso de alguém que busca reconhecer sua complexidade.

Chama ainda a atenção para as descrições insólitas de Clarice e sua facilidade em elevar a realidade mais mundana, como, por exemplo, a vontade de tomar um café, a um evento cósmico. As cenas finais do romance, elogia por fim, “contêm alguns dos mais belos escritos de Lispector e oferecem uma espécie de conclusão que deixa intacto todo o mistério de Virgínia”.

Leia aqui a crítica de Martin Riker sobre O lustre para o The New York Times.

 

 

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