Clarice em nova reedição

9 de dezembro de 2019 / 0 Comentários

Em 2020, Clarice Lispector faria cem anos. Uma série de eventos está programada para celebrar a efeméride. A editora Rocco, responsável pela publicação de sua obra, já deu início às comemorações com a reedição dos três primeiros romances da escritora, escritos na década de 1940, quando Clarice não havia completado ainda 30 anos; são eles: Perto do coração selvagem, O lustre e A cidade sitiada. O restante de sua obra completa será toda reeditada até o fim do ano que vem. 

O projeto gráfico é assinado por Victor Burton, premiado designer de livros. As capas são ilustradas por imagens de pinturas de Clarice feitas, a maioria, em 1975. A relação da escritora com as artes plásticas não pretendeu ser mais do que um passatempo ampliador de seus processos criativos; sua produção, apesar disso, soma 22 quadros — dois deles pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles — e ganhou uma detida reflexão do crítico português Carlos Mendes de Sousa, no livro Clarice Lispector: pinturas, também editado pela Rocco. 

As novas edições também trazem posfácios inéditos, escritos por especialistas na obra de Clarice, como Nádia Gotlib, Clarisse Fukelman, Benjamin Moser, Aparecida Maria Nunes, Ricardo Iannace, Marina Colasanti, Eucanaã Ferraz, Teresa Montero, Arnaldo Franco Junior e próprio filho da autora, Paulo Gurgel Valente. O realizador Luiz Fernando Carvalho, que adaptou recentemente para o cinema o livro A Paixão Segundo G.H. (com estreia prevista para o ano que vem), também assina um dos textos. 

Essa primeira reedição, em 2019, contempla o primeiro livro, Perto do coração selvagem (1943), que foi um grande sucesso de crítica, tendo recebido muitas avaliações positivas, inclusive a do escritor Antonio Candido, que, à época, saudou a estreia da escritora para o jornal Folha de S.Paulo: “dentro de nossa literatura, é uma performance da melhor qualidade. A autora — ao que parece uma jovem estreante — colocou seriamente o problema do estilo e da expressão”. O lustre (1946), segundo livro, ao contrário, teve recepção acanhada e, com ela, o início da relação conturbada da escritora com as editoras ao longo da carreira. Por fim, A cidade sitiada (1949), escrito em Berna, na Suíça, quando a jovem Clarice acompanhava o marido Maury Gurgel Valente em missão diplomática. 

A primeira literatura de Clarice, que agora chega às livrarias de cara nova, dá a ver nos temas, modos de narrar, humor, estilo e inquietações existenciais as mesmas qualidades que — reiteradas por críticos e público — seriam a marca de uma carreira de sucesso trilhada pela grande escritora.  

bruno-guimaraes

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